O que é um cineclube

     Um cineclube se organiza antes de tudo pela vontade do convívio comunitário, pelo desejo de reunir os amigos, de participar de alguma atividade diferente da existente, de exercer a cidadania. Cineclube é antes de tudo uma atitude cidadã! A organização burocrática vem depois.

     Um cineclube é uma representação da sociedade civil organizada (estatuto, diretoria, CNPJ), que tanto pode ter uma sala própria com as características de sala de cinema que todos conhecem (ex: Cineclube Grajaú), ou um local adaptado (Cineclube Baixa Augusta), tipo sala de aula (Cineclube Consciência), sociedade amigos do bairro ou mesmo na rua ao ar livre (Cineclube Mascate).

     No cineclube todos participam e decidem sobre suas atividades (democracia interna), onde o filme é visto e debatido com o público que o assistiu.

     A programação deve ser planejada e montada por uma comissão de pessoas dessa mesma representação social, onde sejam exibidos filmes e vídeos produzidos por esta mesma comunidade, ou filmes que não foram exibidos nos cinemas comerciais ou mesmo nas locadoras.

     No cinema o filme é uma mercadoria, é um objeto de troca, de consumo ligeiro, onde o mais importante é o dinheiro arrecadado na bilheteria. O cineclube não tem fins lucrativos, e o mais importante nele não é a renda e sim o filme e sua relação com o espectador, ou vice e versa.

     Essa prática contribui para reforçar os laços comunitários e a cidadania, o aprendizado e a convivência pacífica entre todos. O cineclube é também o lugar onde o ato coletivo de ver um filme pode ser experimentado: o namoro, a amizade, o companheirismo; onde o sujeito atuante reconquista o direito de participar e transformar seu cotidiano. Enfim, cineclube é também o lugar onde reúne pessoas para ver, ouvir e discutir os filmes e seus personagens. Pois eles vivem eternamente em sua memória.

por Cecisp - Disponível em Observatório Cineclubista. (Acesso em 8 de outubro de 2013)

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O cineclube (a conspiração para..)

Autor: Marco Meirelles

   A existência de um cineclube sustenta-se no desejo de apreender amplamente a linguagem audiovisual. Todas as ações de um cineclube, quando não estão voltadas para se fazer cinema, devem estar voltadas para se exibir e debater cinema.
   Observar filmes no coletivo, confortavelmente, com cautela, precisão e espaço para o debate é o real desejo dos envolvidos. Um cineclube é formado por cineastas e futuros cineastas. Cineasta é todo aquele que exercita a linguagem audiovisual.
   A prática de um cineclube demanda a articulação e circulação de filmes, pessoas, projetores, câmeras e traquitanas mil (para "dar vida" `a tela, somente uma grande performance ritualística) em espaços dos mais variados, sob os mais diversos pretextos e, só se realiza através de uma rede ampla de apoio mútuo.
   O cineclube é público ou assim deve ser. Quão mais heterogênea a conjunção do grupo, maior o valor deste encontro para a reflexão em torno da obra de arte. O cineclube que programa filmes publicamente, exerce o poder de um meio de comunicação. Sua identidade é a sua programação. Deveria haver uma lei para que um cineclube fosse, sempre, o novo ocupante de um cinema comercial antigo fechado por qualquer motivo (em geral, vil).

A aquisição do direito autoral de exibição de um filme (o contato com..)
   Um cineclube não tem dono. O coletivo o representa, dialeticamente. Um cineclube é uma entidade sócio educativa e atua na promoção de educação e cultura para todas as classes.
Um cineclubista tem que inventar sua "tela" e, para tanto, prescinde do projetor digital.
Para um cineclube a descriminalização da pirataria é tão importante quanto a garantia de amparo legal ao direito de autor. Cineclubes demandam contato com os autores para ora criticá-los, ora homenageá-los. Oferecer uma contrapartida ao autor - baseada em termos negociados - e convidá-lo para o evento é básico para um cineclubista conseguir acesso à obra e às estórias de sua realização.
   A idéia de que um cineclube é de "interesse público" promove a idéia de "licença não voluntária" na possível aquisição dos direitos de exibição de obras. Isto não é o suficiente. Se trata de adquirir ou exibir a obra? Vide créditos, contate o autor, co-autor, produtor e/ou distribuidor. O cineclubista deve formular e se responsabilizar por um "pedido de autorização" para uso não comercial da obra. Trata-se de um documento formal, assinado por ambas as partes. O pedido esclarece o caráter da exibição, sua data, seu público previsto e as formas de promoção previstas para o evento. Formas de compartilhamento de obras na web e, remuneração transparente aos autores e co autores do "campo" do audiovisual é tema para debates em cineclubes.
   A existência de um cineclube promove a harmonia entre os interesses dos titulares de direitos autorais e os da sociedade. Todo lançamento de filme nacional deveria prever exibições em cineclubes. Somente a proliferação de cineclubes pode modificar a relação passiva do cidadão comum com a linguagem audiovisual.

A projeção (a realização da..)
   O cineclube se assemelha a uma caverna com projeção data show. É um cinema sem bilheteria, casa dos cineastas, lugar de encontros. Um cineclube tem como meta garantir que o público:
     . vislumbre a obra através de exibição adequada.
     . (re)conheça o autor, co-autores e o contexto em que a obra foi realizada.
     . possa falar o que quiser sobre a obra.
     . possa rever a obra em "cópia de estudo".
     . tenha espaço e tempo para conspirar na criação de uma nova obra.

    Para tanto, a alfabetização audiovisual demanda telas generosas, som da melhor qualidade, a possibilidade de pessoas incríveis estarem sentadas ao seu lado, assim como quitutes dos mais diversos. Quão melhor a sala, o projetor e a mídia de execução, melhor o prazer deste expectador que se aperfeiçoa na troca.

O debate (a reflexão sobre..)
    Boas reflexões coletivas demandam organização e pauta prévia, ainda que aberta. A caverna é circular, a roda se impõe.
Um cineclube se responsabiliza publicamente pela curadoria, recorte e aproximação "sugerida" entre obras e promove o debate. a estética, a narrativa, as empresas produtoras, os apoiadores, os financiadores, as formas de circulação de cópias, as estratégias de marketing, as historias de produção de cada filme, as políticas culturais em xeque...
Se trata de entender sob que contexto foi criada arte cinematográfica. Fatos e arranjos, conjunturas históricas e biografias determinam qualidade, tipos de imagens e formas narrativas.

A próxima sessão (o fim..e o reinício, de mais um..)
   O cineclube também acaba. como tudo entre os homens, as parcerias são criadoras mas não infinitas, o barato mesmo foi o sabor do caldo da mistura daquele dia lindo em que assistimos...
   O cineclube está em qualquer lugar. Até mesmo em sua casa.


Fonte: KINOOIKOS - Disponível em http://www.kinooikos.com/tutoriais/o_cineclube-2/38/

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HISTÓRIA DAS JORNADAS DE CINECLUBES 


História das jornadas de cineclubes
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